contato Departamento de Conservação e Restauro corpo Técnico Crédito

          Estou: home > Histórico > O Visconde

  A Basilica
  Símbolos Basilicais
  Histórico - Arquivo
  Frades Capuchinhos
  Elementos Artísticos
  Conhecendo a Basílica
  Conservação e restauro
  Obras Novas
  Cartas Patrimoniais
  Artigos sobre restauro
  Links
 
  Página Principal
 







O Visconde do Embaré

O visconde do Embaré foi o fundador da antiga capela de SanTo Antônio ,  construiu a capela em sua propriedade na Orla do Embaré em Santos, dessa forma ressaltamos muito sua pessoa bem como de sua esposa a Viscondessa

 

Visconde do Embaré figura como um dos mais ilustres filhos da cidade de Santos. Descendia do Sr. Antônio Ferreira da Silva, português e de sua mãe, paulista, D. Maria da Silva, nasceu no dia 21 de dezembro de 1824. Seu padrinho foi o Sr. Coronel Francisco Inácio de Souza, célebre comandante, que liderou a “bernarda de Francisco Inácio” em apoio ao governo, que rompeu em São Paulo no dia 23 de maio de 1822, devido à cisão dos membros do governo provisório da província, e que mais tarde conferiu a cidade de Itu o título de Fidelíssima[1], por intermédio do Imperador D. Pedro.I

O Visconde do Embaré se estabeleceu no alto comércio, assim como o pai, e por seu próprio mérito e inteligência prosperou, alcançando em pouco tempo uma posição de destaque em suas atividades. Casou-se em 29 de outubro de 1846, em primeira núpcias com D. Gabriela Amália Carvalhaes e em segunda com sua cunhada D. Josephina Carvalhaes, filhas do comendador da Ordem de Cristo Barnabé Vaz de Carvalhaes e de D.Ana Zeferino Carvalhaes.

Exerceu muitos cargos e tanta são suas obras, que aqui não caberia enumerá-las, suas mais importantes ações em filantropia pela cidade figuram em especial no campo da educação, medicina e acolhida dos desamparados. Exerceu o cargo de Vereador na Câmara municipal de Santos em várias legislaturas; foi comandante superior da guarda nacional, onde organizava Batalhões de voluntários para a guerra do Paraguai; Coronel comandante das antigas milícias; delegado de polícia; membro fundador, juntamente com outras personalidades, tais como o Dr. Oswaldo Cochrane, o Visconde de Vergueiro e Henri Leube; da antiga Praça do Comércio (hoje associação comercial)[2] e presidente dessa no ano de 1879 à 1884; foi diretor do partido conservador; Deputado Provincial na legislatura de 1854-1855 e Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Santos  nos anos de 1880 à 1882, deixando seu nome gravado, com as grandes e concretas melhorias que estabeleceu em seu mandato. Como sinal de reconhecimento, a mesa administrativa fez colocar, em 9 de dezembro de 1888, no salão nobre, o retrato a óleo do irmão nobre e benemérito, em uma pintura executada por Benedito Calixto, que ainda hoje se encontra resguardada, juntamente com a de sua esposa, a Viscondessa, nessa nobre instituição.

Era amante das educações populares, tendo construído juntamente com o Visconde de Vergueiro uma escola pública na Rua Dois de Dezembro (hoje D. Pedro II), que onde posteriormente foi denominada “Grupo Escolar Olavo Bilac”. Em 1o de outubro de 1885, cedeu, em seu palacete da Rua Xavier de Silvério as salas necessárias para a instalação do externato Júlio Ribeiro, tendo funcionado ali o estabelecimento de ensino onde lecionava o próprio Barão, um grande professor de filosofia, juntamente com o grande filosofo e autor “Júlio Ribeiro”, escritor de livros como “A carne, Padre Belchior de Pontes e Uma Polêmica célebre”, e ainda como grande conhecedor do vernáculo e gramática “Traços gerais de uma língua e Gramática portuguesa”.

Dessa forma, pela sua fina educação e pelos muitos e grandes serviços prestados em retribuição o governo do Imperador D. Pedro II concedeu-lhe a Comenda da Rosa[3], o título de Barão do Embaré e posteriormente, por decreto de 1880, o de Visconde. Em Santos, hospedou em seu palácio, algumas vezes, o Imperador, que lhe devotava amizade.

Possuía três filhos, todos do primeiro casamento com D. Gabriela Amália, sendo eles D. Gabriela, D Josephina e Eduardo. Com a Viscondessa não possuía filhos, mas essa se devotava aos sobrinhos como seus próprios.

Veio a falecer no Rio de Janeiro em 21 de dezembro de 1887, no dia que celebrava 63 anos. No dia 26, por deliberação da mesa da Ordem Terceira do Carmo, foi proclamado benfeitor dessa Ordem era enfim Comendador da Imperial Ordem da Rosa e Grande do Império.

Postumamente recebeu o título de Visconde com Grandeza, por decreto do Imperador D. Pedro II, em 7 de maio de 1888[4].

Foi essa tão ilustre personalidade que iniciou a semente da belíssima Basílica de Santo Antônio do Embaré, que hoje deixa admirados todos que a visitam.


 

[1] Itú a fidelíssima – www.itu.com. 25/1/2007

[2] Associação comercial de Santos, in : http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0315a.htm 25/03/3007

[3] Foi criada, pelo imperador D. Pedro I  para perpetuar a memória de seu matrimônio com D. Amélia de Leuchtemberg. Seu desenho foi idealizado por Jean Baptiste Debret. A Ordem servia para premiar militares e civis, nacionais e estrangeiros, que se distinguissem por sua fidelidade à pessoa do Imperador e por serviços prestados.

[4] SOBRINHO, José da Costa e Silva.  Santos noutros tempos, in SP. Revista dos Tribunais, 1953