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Rara publicação de 36 págs encontrada pelo professor de História Francisco Carballa foi editada nesta cidade em 1915, sendo impressa na capital paulista pela tipografia de Pocai Weiss & C. :
 

a Capella do Embaré --1915  - parte 6

Ernesto Lisboa
 
   Uma atividade infatigável que contraria o provérbio - as aparências enganam - é o timbre desse excelente cavalheiro. Quem olha a primeira vez aquela fisionomia corada, acusando uma saúde robusta, e um olhar firme, enérgico, concorda que em Ernesto Lisboa as aparências não enganam.

Há muito que podia moderar os ímpetos das suas faculdades imensamente laboriosas. Mas, não! É uma tenacidade no amor ao trabalho que causa inveja. Ninguém o encontra senão com o passo agitado, ou com o espírito a revolver-se em complicadas questões.

 

Nasceu no Rio e aí viveu alguns anos, vindo mais tarde para Santos, onde hoje mantém uma posição de destaque como corretor de café.

Trabalhador, arrojado, honesto, o sr. Ernesto Lisboa constitui um tipo certo de caráter em que se acham fundidos os melhores sentimentos. De uma grande lealdade com os seus amigos, de inconcussa probidade nos seus negócios, é justo que o rodeiem grandes simpatias, e que diariamente receba inequívocas provas de amizade.

No seu lar, onde o amor brilha com os primores de esmerada educação, reside a maior modéstia e sinceridade.

O sr. Ernesto Lisboa dotou Santos com essa higiênica e elegante Vila Lisboa, quando o bairro de Vila Mathias era quase um deserto. Tendo viajado bastante, possui conhecimentos variados que dão à sua conversa uma feição interessante.

Na fadigosa luta quotidiana Ernesto Lisboa quer muito à Capela de Sto. Antonio do Embaré. Foi ele o seu primeiro festeiro, fazendo-lhe uma avultadíssima doação. E desde que ela se reformou até hoje, tanto ele como sua ilustre família não se cansam de dispensar-lhe generosas ofertas.


Ignácio R. da Costa

O Sr. Ignácio Ribeiro da Costa é um respeitável conferente da Alfândega de Santos que reúne o zelo pelos serviços públicos ao interesse pelos assuntos religiosos.

Nasceu a 21 de julho de 1855, na cidade de S. Salvador da Bahia. É filho legítimo de Ignácio Loyola da Costa e de d. Firmina Ribeiro da Costa.

Em 1878, foi nomeado praticante da antiga Tesouraria da Bahia, sendo sucessivamente promovido a 3º escriturário e 2º da mesma Tesouraria. Neste posto, foi transferido para a Alfândega da Bahia, onde, depois, logrou a promoção a 1º escriturário.

Daí, foi transferido para a Alfândega do Rio, no posto de 2º escriturário.

Com a grande reforma que o saudoso dr. David Campista realizou nas repartições da Fazenda, o sr. Ribeiro da Costa foi promovido a conferente da Alfândega de Santos, em 1906. E neste posto se acha até hoje.

A 15 de maio de 1880, casou o sr. conferente Ignácio Costa com a exma. sra. d. Leonidia Amélia Netto da Costa, de cujo casamento tem hoje 7 filhos, sendo cinco moças, uma das quais casada com o distinto tenente de engenheiros dr. Souza Filho - e dois homens.

Tanto ele como sua ilustre família protegem há cinco anos seguidos a Capela de Santo Antonio do Embaré, com dádivas e favores da mais rasgada dedicação.

A inteligência do funcionário superior revela-se em todos os atos deste homem, que possui um coração repleto de sentimentos nobres e de qualidades preciosas.

A filantropia, encarada sobre todos os aspectos, assentou arraiais no espírito do sr. Ignácio Ribeiro da Costa, transformando-o em mina inexaurível de benefícios que, dia a dia, se multiplicam.

Dele se afirma, com extrema verdade, que é o protótipo da caridade, com a qual dispende uma grande parte dos seus haveres.

Quem assim procede com o próximo não podia deixar de ser o que é - um excelente chefe de família.

A felicidade do seu lar é uma permanente afirmação. Atinge nos aspectos domésticos a figura imponente dos patriarcas bíblicos. O pater-familias dos romanos encontra no sr. coronel Ignácio Ribeiro da Costa a moderna encarnação.

Mas nessa exemplar família não é ele apenas o generoso protetor da Capelinha do Embaré. Suas exmas. esposa e filhas, todos os anos, encarregam-se de enfeitar à sua custa o andor de Santo Antonio, com o maior carinho e escrúpulo.

Seus nomes entram neste registro como dos mais queridos e prestimosos.

Antônio Cândido Gomes

É uma das individualidades mais conhecidas e mais respeitadas nesta cidade o sr. cel. Antonio Cândido Gomes.

As simpáticas considerações de que goza provêm de qualidades naturais e adquiridas, de uma criteriosa e exemplar vida pública e vida doméstica.

Filho do falecido Ernesto Cândido Gomes, de saudosa memória, e de d. Manuela Moreira Gomes, nasceu na cidade de Cachoeira, em 28 de maio de 1868, no Rio Grande do Sul.

Veio para Santos com seus pais em janeiro de 1883, empregando-se na casa comissária Prates & Filho, onde seu pai era guarda-livros. Dez anos depois, tendo já pelo seu trabalho assegurado o futuro, contraiu matrimônio com a exma. sra. d. Carlota de Arruda Gomes, filha do antigo negociantes desta praça José Manuel Arruda, já falecido. De tão feliz enlace vivem hoje onze fihos, tendo morrido um.

Dessa numerosa prole o sr. Antonio Cândido Gomes tem cuidado com os mais requintados afetos d'estremoso pai. E por isso tem o prazer de ver que a educação que deu a seus filhos os coloca hoje, os mais velhos, na primeira linha da sociedade de Santos, tanto no que respeita às festas e diversões como nas lides práticas do comércio e do trabalho. Muitos têm sido os esforços e perseverantes os sacrifícios para chegar a este resultado. Mas o seu coração de pai e o seu espírito de homem estão bem compensados pela estima e respeito que cercam todos aqueles a quem deu o ser.

As suas largas faculdades conquistando-lhe uma posição evidente, exigiram-no para o desempenho de muitos e importantes cargos.

Por largos anos exerceu as funções de consultor e tesoureiro da Santa Casa de Misericórdia.

A sua inexcedível dedicação pelas obras de beneficência levou-o a diretor e presidente do Asilo de Órfãos, a diretor beneficente e tesoureiro da Sociedade Humanitária dos Empregados do Comércio. Pertenceu à diretoria do Club Internacional de Regatas; foi juiz de paz, vereador municipal, diretor e secretário da Associação Comercial de Santos, e juiz substituto federal. Criou o Consulado da República do Chile, exercendo o lugar alguns anos, e também à sua iniciativa se deve a linha de bondes na Vila Macuco, que por direitos adquiridos foi concedida à City.

O sr. A. C. Gomes fundou a Companhia Santista de Tecelagem, de que foi um grande acionista, e dirige hoje a sua importante casa comercial na Rua Quinze, que dispõe do mais alto crédito, possuindo também a empresa de transportes, por automóveis. Pela sua atividade e inteligência é que se encontra em notável progresso a Companhia Central dos Armazéns Gerais.

Por esta extensa lista de ocupações, todas de maior ou menor responsabilidade, se avalia a influência pessoal de que dispõe, justificada por uma larga capacidade intelectual e uma irrepreensível conduta, séria e honesta.

Acompanhado de sua numerosa e querida família, a Capela do Embaré deve-lhe inolvidáveis benefícios. É indispensável, portanto, que nesta modesta monografia se marque o seu nome com a superioridade compatível nestas páginas. É que estamos convencidos que, ao vê-lo passar nas ruas de Santos, não se erguerá para a sua figura modesta a atenção curiosa que provoca a garridice dos snobs ou a auréola dos heróis; mas um coro surdo, íntimo, se forma em todos, como que dizendo: - aí vai um homem de bem.


O engenheiro M. Hehl

engenheiro Hehl foi o autor do projeto da ampliação atual da capela do Embaré. A opulência do seu grande talento manifesta-se sempre, quer o requisitem para os mais vastos planos arquitetônicos, ou o solicitem para as modestas e humildes construções. Em todas as suas obras cabe perfeitamente o prolóquio latino - ex digito gigans - pelo dedo se conhece o gigante.

Não é este o lugar oportuno para traçar um rápido esboço biográfico do engenheiro Maximiano Hehl. Nem é essa a nossa missão; e quando o fosse, julgávamo-nos impróprios para cumpri-la.

É tão vasto, tão intenso e fecundo o feixe de luz vivificante que o seu espírito tem irradiado no Brasil, que não podem apreendê-lo em toda a extensão as ligeiras frases que desejamos aqui estampar como legítima homenagem. Riquezas, glória, família, felicidades, tudo quanto o Brasil lhe tem dado nos vinte e cinco anos de residência, é ainda pouco para o compensar dos monumentos com que o tem embelezado.

Maximiano Hehl fez um curso notável d'engenheiro, n'Alemanha, sua pátria, onde já a sua família se havia distingüido nos trabalhos d'engenharia. Veio muito novo para o Brasil, chamado por seu irmão, que dirigia as Obras da Estrada de Ferro de Minas.

Daí seguiu para S. Paulo, onde uma carreira triunfal o esperava, com as mais largas remunerações. Trabalhou uns poucos d'anos no escritório do dr. Ramos d'Azevedo, que cedo lhe reconheceu o mérito e o chamou para seu lado. Depois de serviços relevantes, foram-lhe confiados projetos grandiosos que o seu talento realizou com o maior assombro.

São Paulo deve uma parte de sua grandeza arquitetônica ao engenheiro Hehl. Santos também se pode orgulhar de possuir a construção elegantíssima do quartel de bombeiros, sob a direção de Maximiano Hehl. Espírito muito ilustrado, amparando a ciência forte, com uma fé religiosa mais forte ainda, Maximiano Hehl é o indivíduo mais modesto que se pode encontrar, simples, natural, de uma bondade ilimitada, despido de toda a exterioridade lantejoulada, sem que seja possível, ao vê-lo, descobrir-lhe a pujança da inteligência, a largueza de vistas, a superioridade incontestável que possui.

É vastíssima a obra de Hehl; de memória lembram-nos o Colégio de Sto. Agostinho, o Sanatório de Santa Catharina, o Hospital d. Anna Alvarenga, a igreja da Venerável Ordem III do Carmo, e os grandiosos trabalhos, em construção da Catedral de S. Paulo e de Santos, a igreja da Consolação, em que o seu gênio assinalou a alma d'artista.

 Maximiano Hehl vive entre a família a quem consagra um culto, estremecido e invejável. A sublimidade dos seus afetos, fartamente retribuídos por todas as pessoas dessa família tão feliz, quanto modesta, merece bem o altar que o ilustre engenheiro lhe edificou. É a Vila Adelaide, nome de sua estremosa esposa, que, na Avenida Higienópolis, em S. Paulo, domina com altivez, como uma vivenda principesca de um Cresus medieval, e donde se exala, em cintilações de gosto, de capricho, tudo o que o estudo e o trabalho podem compor para deslumbrar e atrair os elevados requintes da civilização moderna.

E Maximiano Hehl goza todas essas maravilhas, sem ostentação nem vaidades; goza-as porque são para a esposa e filhos o templo em que ele pontifica cheio de fé, paz e amor.

Prêmios, medalhas, distinções e honras nobilíssimas, que tem conquistado, pelos trabalhos esparsos no Brasil, são para ele um estímulo apenas, a servir d'exemplo vitorioso nesse lar encantador, que é o motivo e a única alegria da sua vida.


Manoel D'Azevedo Sodré

Os indivíduos fortes possuem virtudes enérgicas e crenças firmes.

Estamos em presença de um indivíduo forte pelo caráter, pelo coração e pela sua constituição física.

O sr. Manoel d'Azevedo Sodré nasceu em Maricá, no Estado do Rio, onde se tornou filho dileto daquela cidade. Muito moço e prestigiado pelos seus conhecimentos e distinções, não se esquivou às seduções da política. Mas não foi à política mesquinha e interesseira que serviu, e sim àquela que é útil, que produz e fertiliza. Eleito presidente da Câmara Municipal, empregou a sua energia no desenvolvimento de Maricá, que bastante lhe ficou devendo. O seu nome ainda hoje ali é lembrado com saudade e respeito.

Vindo para Santos, entregou-se à administração dos seus negócios comerciais, sem abandonar a política do partido municipal, que o conta como um valioso correligionário.

No meio do comérico em que vive, onde os interesses estão sempre em jogo, ele timbra em manter uma bondade ilimitada, ao contrário das batalhas gananciosas da atualidade.

Enxergando-o à hora da maior faina, a sua estatura sobressai, e é apontado como um homem, em toda a acepção da palavra, estremoso pela família, leal e dedicado para os amigos, gentil e afável para os que o procuram.

Ele e sua exma. esposa, d. Maria Cândida d'Azevedo Sodré, concorrem com louvável prazer e auxílio para a Capelinha do Embaré. Este ano foi a ilustre dama que enfeitou o andor do Sagrado Coração de Jesus, com a arte e unção religiosa que a caracterizam.