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Capuchinhos Trentinos em São Paulo

1.4 - Reformadores em São Paulo

A primeira comunidade Capuchinha de São Paulo (oficialmente instalada), foi de frades franceses fundadores do seminário episcopal de São Paulo, de 1854 a 1878. [24]

Já próximo à República, o imperador, que muitas vezes demonstrou apreço pelo trabalho dos frades, dirigiu ao ministro geral da Ordem um pedido, solicitando o envio de novos missionários ao Brasil para ajudar na catequese indígena. Esse pedido, dirigido ao geral Frei Bernardo de Andrematt, foi encaminhado ao Provincial de Trento, na Áustria, que já havia manifestado a intenção de assumir um trabalho missionário no oriente ou ocidente. Em um Capítulo Provincial, Frei Bernardino de Lavalle apresenta o pedido a seus irmãos, e esses escolhem São Paulo, pois muitos Italianos estão se dirigindo a este local, para compor mão de obra muito requisitada no Brasil neste momento.  Frei Felix de Lavalle era o superior da missão então composta por mais três frades, Frei Luis de Santiago, Frei Caetano de Pietramurata e Frei Vigílio de Trento, dois presbíteros e dois irmãos leigos.

Deste modo, os Trentinos pensam em trabalhar na catequese indígena e, para preparar frades que continuassem a missão com os seus, fundando um colégio Seráfico, abrindo noviciado e erigindo casas ligadas a Trento. Mas, as notícias de que tais práticas eram proibidas pelo governo brasileiro desanimam os capuchinhos que reconsideram em vir, sendo que rapidamente o governo, em 1889, desmente o fato, afirmando que é do maior interesse a presença dos frades, bem como é visto com entusiasmo o fortalecimento das ordens religiosas no Brasil, através do ingresso de jovens ao seminário.

Desfeito o impasse, os primeiros frades partem de Trento em 27 de julho de 1889, antes param em Roma, para uma visita ao Papa Leão XIII, que pede para aos frades  uma especial dedicação ao culto e divulgação do Sagrado Coração de Jesus. Ele daria forças para a missão de “reformar o clero brasileiro” [25], missão considerada impossível por muitos, e os presenteia com uma estampa do Sagrado Coração[26]. Tal pedido vai orientar muito a forma como a província vai decorar e escolher os padroeiros das suas igrejas.

Nesta viagem inicial, partiram quatro frades. Por escolha do destino, Frei Vigílio morreu de tifo durante a viagem, no litoral pernambucano. Suspeito de “cólera morbus”, o navio não pôde aportar no Rio de Janeiro, seguindo viagem para Montevidéu, onde não ouviram falar bem do Brasil, mas só de Montevidéu e Buenos Aires. Os capuchinhos trentinos são solicitados a abandonar a missão no Brasil e permanecessem por lá. Os missionários chegaram ao Rio de Janeiro em 6 de outubro de 1889, hospedando-se no convento do morro do Castelo. O superior carioca Frei Fidelis de Avola não demonstra nenhuma boa vontade em ajudá-los. Preocupava-o que as “missões confiadas aos trentinos obrigassem os outros frades a enquadrar-se na Observância da vida conventual ou voltar para Itália”

 

Sendo assim, fundam a Missão em São Paulo, munidos das faculdades concedidas pela sagrada congregação dos negócios extraordinários. Residiram inicialmente em Tietê, onde a população local logo se afeiçoou aos frades, não compreendendo como esses poderiam viver somente de esmolas. SSeguiram para Piracicaba, após receberem várias propostas dos vicentinos, onde chegaram em 1890, indo morar no colégio Assunção das irmãs de São José de Chambery. Logo em seguida compram um terreno no qual já havia uma humilde casa, onde passam a residir. Os frades levavam uma vida de observância regular, mesmo antes de construírem conventos. As práticas capuchinhas eram cumpridas a risca, com o ofício divino à meia noite, duas meditações por dia, uso de cilício e disciplina, retiros mensais, tudo aos moldes da tradição capuchinha, argumentada dessa forma por Fr. Félix:

“Se o Capuchinho vive como Capuchinho até o Diabo o respeitará, tanto mais que os brasileiros são de índole boa e religiosa e, se pecam, é mais por fragilidade que por malícia”.[27]

Fundaram o primeiro convento da Ordem no Brasil, no ano de 1896, dedicado ao do Sagrado Coração de Jesus, em Piracicaba, compondo a primeira família conventual. NNo ano de 1898 já são mais de 20 frades, vindos de Trento. Com novo contingente, a Ordem cresce e vai se estendendo por outros lugares. Além de se dedicarem a missão entre os índios, abrem diversos conventos, e assumem os conventos dos franciscanos da Observância, de Santa Clara em Taubaté, em 1892, e o do largo São Francisco, em São Paulo, em 1897. O primeiro seminário data de 1896, em Taubaté.[28]

No convento e igreja de Taubaté os frades permanecem até hoje; O o de São Paulo, os franciscanos manifestaram vontade de retomá-lo, e os frades trentinos acabaram por sair em 1909. Os frades prevendo essa possibilidade já haviam comprado da companhia Melhoramentos[29], em 1900, um terreno na estrada de Santo Amaro, atual Av. Brigadeiro Luis Antônio, erguendo e inaugurando uma igreja, em 1904, e um convento, em 1905, ambos dedicados a Imaculada Conceição, Padroeira da Missão, e hoje da Província[30].

Conforme Verussa[31] o objetivo dos Capuchinhos era a catequese indígena e eles sempre tentaram organiza - lá, foram três tentativas feitas pelos trentinos.

1- Com os Coroados (kaigangs), próximo a serra de Agudos, entre 1904 a 1907, na catequese São Fidelis, na região de Campos Novos.

2 – A de Jataí, no Paraná, de outubro de 1911 a novembro de 1912. Há frutos dessa experiência em uma gramática feita pelo Frei Mansueto de Valfloriana, em língua Kaigang.

3- A dos índios Xavantes, à margem do Rio Verde, no Mato Grosso, passando posteriormente para território paulista , no Ribeirão das Marrecas, onde hoje se encontra a cidade de Panorama, entre os anos de 1912 e 1915.

Em Penápolis a presença dos frades, em 1908, deve-se a essa vontade de atuar na missão indígena, com objetivo de estabelecer residência estável próxima à área das missões.


 


[1] Giovanni di Bernardone, nome de nascença de São Francisco, nasceu em Assis, em 1181; falecido em Perciúncula, em 1226 e canonizado em 1228, como São Francisco de Assis

[2] Francisco de Assis, Homem Evangélico. Procasp. Disponível em :< http://www.procasp.org.br/>. Acesso em 25 set 2005.

[3] Kung, op. cit., p.133.

[4] Os Capuchinhos. Província dos Capuchinhos de São Paulo. Disponível em : <http://www.procasp.org.br/> . Acesso em 25 set 2005.

[5] Capuchinhos, op. cit..

[6] HOONENAERT, Eduardo. A História da Igreja no Brasil I/2. Petrópolis, 1980, p. 211.

[7] VAN DER VAT, Frei Adulfo. Princípio da Igreja no Brasil. Rio de janeiro, 1952, p. 21

[8] Fundado em 7 de janeiro de 1549 até o ano de 1553, com o Governador Geral na Figura de Tomé de Souza (1503 a 1573 ou1579). Fonte: WIKIPÉDIA, enciclopédia livre. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A9_de_Souza>. Acesso em 7 de maio de 2006

[9] HOONENAERT, op. cit., p. 212.

[10] HOONENAERT, op. cit., p. 211.

[11]Diogo Álvares Correia (1475? — 1557) foi um explorador português que passou a vida entre os índios e facilitou o contato deles com os primeiros administradores e missionários portugueses. Foi apelidado de Caramuru pelos tupinambás. É considerado o fundador do município baiano de Cachoeira”. Fonte: WIKIPÉDIA, enciclopédia livre. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Caramuru>. Acesso em 7 de maio de 2006.

[12] VAN DER VAT, op. cit., p. 104.

[13] Ibid. p. 156-167.

[14] HOONENAERT, op. cit., p. 216

[15] PALAZZOLO, Fr. Jacinto de. Crônicas dos Capuchinhos do Rio de Janeiro. Petrópolis, 1966, p.14.

[16] PALAZZOLO, op. cit., p.22.

[17] REZENDE, Fr. Modesto. Missionários Capuchinhos no Brasil. São Paulo, 1926, p. 66.

[18] PALAZZOLO, op. cit., p.38.

[19] Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal ou Conde de Oeiras (13 de Maio de 1699- 15 de Maio de 1782), nobre e estadista português. Foi Primeiro Ministro do rei D. José (1750-1777). Fonte: WIKIPÉDIA, enciclopédia livre. Disponível em :<http://pt.wikipedia.org/wiki/Sebasti%C3%A3o_Jos%C3%A9_de_Carvalho_e_Melo>.  Acesso em 25 set 2005.

[20] PEREIRA, Serafim J.. Missionários Capuchinhos. Rio de Janeiro, 1998, p. 57.

[21] PALAZZOLO, op. cit., p.141

[22] Ibid. p. 280.

[23] PEREIRA, op. cit.

[24] PEDROSO, Frei José Carlos. Alguns Grandes Passos. Província da Imaculada Conceição - 50 anos de Província. São Paulo, 2003, p. 5.

[25] VERUSSA, Frei Odair. Memórias históricas dos capuchinhos de São Paulo. In: ZAGONEL, Frei Carlos Albino. Capuchinhos no Brasil. Porto Alegre, 2001. P. 300-321.

[26] A estampa, ainda hoje, encontra-se na Província, sendo um objeto de valor afetivo inestimável aos capuchinhos de São Paulo.

[27] VERUSSA, op. cit. p. 308.

[28] Ibid., p. 309.

[29] Companhia de arrendamento urbano do começo do século XX.

[30] VERUSSA, op. cit. p. 310.

[31] VERUSSA, o

p. cit. p. 314