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Os capuchinhos coloniais

De modo geral as crônicas franciscanas são escassas, sempre pelo fato dos frades pouco anotarem, em razão da “alergia” que tem de arquivos.

Não podemos deixar de ressaltar as outras portas de entrada dos frades no Brasil. Após várias tentativas de tentar colonizar o Maranhão, um grupo de franceses resolveu empreender a façanha. A França sempre almejou possuir terras no novo mundo, e seus soberanos contestavam a divisão bilateral empreendida por Portugal e Espanha, perguntando-se “Queria ver com meus próprios olhos o testamento de nosso pai Adão que repartiu o mundo sem se lembrar de mim!”[15] Desse modo, em 1611, a Rainha Regente Maria de Medici inicia a expedição, que dará origem ao sonho francês de uma França Antártica (ou França Equinocial).

Em uma expedição comandada por um aventureiro francês chamado Riffaut, ela solicita aos frades capuchinhos sua presença nesta expedição, neste grupo quatro frades capuchinhos da província de Paris, escolhidos em um grupo de 50 (cinqüenta) voluntários, desembarcaram no Maranhão em 19 de março 1612. Os capuchinhos foram para os franceses o que os jesuítas eram para os portugueses. Eles escolheram um lugar distante e após a vila tomar jeito, ergueram o primeiro convento de São Francisco do Maranhão.

Quando houve a expulsão dos franceses, os capuchinhos foram expulsos juntamente, o convento acabou sendo assumido pelos Menores de Pernambuco, posteriormente pelos jesuítas, e novamente pelos franciscanos.

Outro importante grupo foi o de 1642, os capuchinhos franceses bretões que se encontrava em uma missão na costa da África, mais precisamente em São Tomé da Ilha[16], foram capturados e mantidos prisioneiros dos holandeses, e acabaram sendo levados para Pernambuco. Eles eram liderados pelo Frei Apolinário, e através da influência de Conde de Nassau são liberados e recebem autorização para iniciar seu trabalho no Apostolado em terras brasileiras.

Com o tempo, expandem seus trabalhos, e se estabelecem no Rio de Janeiro, com anuência do Governo Português, e vão morar em uma ermida de Nossa Senhora da Lapa em 1653, mas essa informação pode não ser verdadeira. Após, constroem um hospício dedicado a Nossa Senhora da Conceição, ao lado de uma igreja de mesmo nome, em 1668, recebida de doação de D. Maria Dantas em 1664, que originalmente havia sido doada aos carmelitas, e que ficava no morro com o mesmo nome. Acabariam sendo expulsos, em 1700, pelo rompimento de relações diplomáticas entre França e Portugal (possivelmente por não quererem jurar fidelidade ao Rei Português)[17]. O convento vira Palácio Episcopal, e nos posteriores séculos é entregue ao Ministério da Guerra.

No início do século XVIII (1720), vieram para o Brasil os capuchinhos italianos, partiram de Portugal rumo a África, mas por problemas (fortes ventos impediam de continuar a viagem), pararam no Rio de Janeiro, esperando outra embarcação que pudesse levá-los à África. Acabam permanecendo no Brasil por insistência da comunidade local. Dedicados de modo particular às missões populares, ao lado dos franceses foram os frades que percorreram, em especial, a região sul do país. Em 3 de maio de 1721, fundaram um convento no Rio, e, em 1723, foram considerados Prefeitura Religiosa Brasileira vinculada ao Prefeito Apostólico do São Francisco (nordeste).[18]

No Rio de Janeiro, os capuchinhos estabeleceram as missões para Minas Gerais, Espírito Santo e a Província do Sul; em 1742, fundam o Hospício das Oliveiras, no morro do Santo Antônio.

No Governo do Marquês de Pombal[19] rompem-se as relações com a Santa Sé, o governo usa de represálias que atingem os religiosos, com muitas restrições, a desaceleração da ordem tem inicio, até o despejo forçado do Hospício das Oliveiras, por obra do Príncipe Regente, em 1808, que solicita o convento para moradia dos beneditinos, e a dos beneditinos é cedida para as obras do Príncipe Regente, e, em 1829, despedia-se o último missionário italiano.

Em 1840, inicia-se a Missão Oficial do Rio de Janeiro, que após morar dois anos com os Beneditinos, no antigo convento dos capuchinhos, que estava desabitado pelo falecimento do Bispo da época, posteriormente sobem para o Morro do Castelo, assumindo a igreja de São Sebastião[20] antiga Matriz do Rio de Janeiro (1567), que estava arruinada, em acordo com os objetivos da Santa Sé, do Imperador, que até então cumpria com sua palavra, e dos próprios frades[21].

 

Figura 1 - François Froger, “São Sebastião/Vila Episcopal do Brasil”, ca. 1695.3 A Matriz de São Sebastião, destacada à esquerda da ilustração, desapareceu por ocasião do arrasamento do chamado Morro do Castelo, em 1922.

 

Em 1922 a igreja de São Sebastião foi demolida, devido ao desmonte do morro do Castelo, para abertura da Avenida Central, e urbanização do centro do Rio; Os frades encontraram dificuldades financeiras em adquirir um terreno no mesmo local em que ficava o morro, o translado das peças históricas de fundação do Rio de Janeiro e os túmulos de seus fundadores foram acompanhados com grande euforia e divulgação. A nova igreja de São Sebastião foi erguida em outra localização (na Tijuca), na Rua Haddock Lobo, em 1931[22]

A missão do Rio de Janeiro, em sua primeira parte (1840-1896), compõe-se de frades de diversas partes da Europa, enviados pela Sagrada Congregação de Propagação da Fé (SCPF); Em 1896, já reduzidos em sua área territorial, tornam-se missão regular: chefiada à Província de Saracusa, passou a Custódia Provincial (1937-1970), Vice-Província (1970-1980) e Província Nossa Senhora dos Anjos (em 1980)[23].