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 Franciscanos no Brasil Colonial

Em a história da Igreja no Brasil, define-se a visão dos monarcas europeus, que viam colonizar e evangelizar como sinônimos colocados em pé de igualdade, onde os evangelizadores implantavam a cultura européia como forma de cristianizar os índios[6].

A raiz dessa situação encontra-se na própria península ibérica, e a luta pela expulsão dos árabes, onde se criou o conceito de que a sociedade portuguesa e a forma como se constituía identifica-se como única forma de cristianismo (pelo menos como eles conheciam). Os portugueses lutavam, em sua concepção, pela pátria e por sua religião.

 

Victor Meirelles
PRIMEIRA MISSA DO BRASIL, 1860
Óleo sobre tela – 268 x 356 cm
Coleção Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro
Fotógrafo: Eduardo Marques

 

Após a descoberta das novas terras no ocidente do Atlântico, por um longo período as colônias ficaram desprovidas de assistência “espiritual”. Muitos são os relatos de missionários avulsos de diversas Ordens. Os primeiros franciscanos confundem-se com a própria história do Brasil e as fontes mais antigas são narrativas do Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão, em sua crônica “Novo Orbe Seráfico Brasílico[7]”. Mas o fato é que somente com a implantação do governo Geral[8], os trabalhos missionários tiveram uma continuidade e organização, criando-se ambiente fértil para instalação das primeiras irmandades, custódias e províncias.

A Evangelização então toma forma definitiva nesse governo, com a vinda dos Jesuítas. Nos anos seguintes, devido às dificuldades desse trabalho e contrariando o entusiasmo dos primeiros anos, os evangelizadores acabam por adotar postura semelhante com os índios em relação à tomada com os mouros na Idade Média[9].

Sendo assim, impor um regime de “sujeição dos índios, reduzi-los a um regime de servidão e obrigá-los a aceitar a adoção do Cristianismo foi a grande tese defendida pelos jesuítas, sustentada por Nóbrega e Anchieta”.[10]

Os jesuítas sempre se opuseram à escravidão pura e simples adotada pelos colonos, dando início ao conflito com esses, em especial nas colônias de São Vicente e Pernambuco. Também não viam motivos para uma liberdade completa nos aldeamentos, aplicando um regime severo de obediência que leva os índios a adotar a fé cristã inquestionavelmente.

Os franciscanos avulsos, desse período heróico da primeira metade do século XVI, acabam por não possuir um grande volume de referência biográfica, e sobre sua atuação, mas é possível encontrar diversas narrativas da presença franciscana em situações clássicas do período de formação colonial, como o de Frei Diogo Borba, que teria entrado em contato com o lendário Caramuru[11] de nossas narrativas históricas.

O próprio Frei Henrique de Coimbra, que não podemos nunca deixar de mencionar em se tratando de pesquisa franciscana no Brasil colônia, que veio na Nau da capitania, juntamente com Pedro Álvares Cabral celebrou a primeira missa do Brasil, retratada em diversas obras da arte pictórica nacional. Mas entre ele e os primeiros missionários jesuíticos, muitos foram os frades missionários, de diversas nacionalidades, que se aventuraram a entrar nas matas brasileiras, e que tornaram-se mártires por essa aventura apostólica.

Com relação aos templos e irmandades religiosas franciscanas, as narrativas são muito divergentes, citando como primeira irmandade, constituída no Brasil Colônia, a da Ordem Terceira Franciscana de São Roque de Olinda, em 1535[12], e a tida como factível os anos entre 1555-1575, fundada por Dona Maria Rosa, na casa de invocação de Nossa Senhora das Neves, de sua propriedade, atribuição que nenhuma outra irmandade contesta até então.

Já na Bahia há confusão quanto a data e local da fundação da primeira igreja e convento franciscano, sendo muitas vezes atribuída duas datas de fundação, para dois prédios diferentes, separados por lapso de tempo e localização. Com a memória dos manuscritos de Frei João de Deus, pertencente à biblioteca do Real Convento de São Francisco, em Lisboa, é possível considerar que um frade espanhol mandou construir uma igreja no Monte Calvário dedicada a São Francisco, sendo a data provável dessa construção 1583, essa igreja ficou abandonada. Quando os franciscanos se estabelecem em Pernambuco (Olinda), em 1585, os moradores oferecem a igreja para eles, que atendem ao pedido, indo para a Bahia, mas não assumem o edifício (1587), adquirindo outro terreno no meio da cidade. Feito isso, constroem outra igreja, também dedicada ao Pai Seráfico, com um novo convento anexo dedicado ao santo. A igreja original, no Monte Calvário, foi doada então aos frades Carmelitas, que a assumem com o nome de Igreja de Nossa Senhora da Piedade. Algumas fontes, como a de Frei Francisco Gonzaga em 1587, na obra “De Origine Seraphica e Religionis[13]” atribuem a construção logo após a fundação da cidade em 1549.

Os Franciscanos somente iniciam seu trabalho organizado e sistemático no final do século XVI, criando, em 13 de março 1584, a custódia de Santo Antônio do Brasil. Os primeiros religiosos foram chefiados por Frei Melchior de Santa Catarina, que veio a pedido de Jorge Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, veio juntamente com outros sete frades, e fundou o primeiro convento em Olinda com o nome de Nossa Senhora das Neves, em 1585, o segundo em Salvador, em 1587, o terceiro em Igaraçu, em 1588, o quarto na Paraíba, em 1589, e o quinto em Vitória, Espírito Santo, em 1595.

No final do século XVI, encontramos 15 conventos estabelecidos das quatro grandes ordens religiosas (Jesuítas, Carmelitas, Beneditinos e Franciscanos) e três colégios, espalhadas por todo Brasil sendo que em Olinda e em Salvador encontram-se as quatro grandes Ordens religiosas, instaladas simultaneamente.

Tendo sido a primeira fundação no nordeste, o centro de estudos estabeleceu-se somente em Olinda, até o ano de 1650, quando se abriu, devido a grande expansão da Ordem, um novo centro de estudos no Rio de Janeiro.

Em 1659, devido ao crescimento da Ordem no Brasil, esta foi dividida em duas Províncias, a de Santo Antônio do Norte e Nordeste, e a Custódia da Imaculada Conceição, com oito conventos: Vitória (1591), Rio de Janeiro (1608), Santos (1639), São Paulo (1639), Macacu (1650), Penha da Vitória (1650), Angra dos Reis (1650) Itanhanhém (1654), acrescido logo mais por mais duas novas comunidades, S. Sebastião (1658) e Taubaté (1674)[14], sendo o Rio de Janeiro a sede da Custódia; em 1677 ocorreu a fundação da nova Província (elevada da antiga Custódia), com início de estudos em São Paulo também.

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